terça-feira, 13 de dezembro de 2011

MISTURA DE SOM E CORES

Inspirada na pintura, sua nova paixão, Ana Carolina conversou com o Buchicho sobre seu novo trabalho, Ensaio de Cores, que acaba de chegar às lojas em CD, DVD e Blu-ray

                                                            
Uma das vozes mais marcantes dos últimos anos, a mineira Ana Carolina está de volta às lojas com um novo disco. Ensaio de Cores é o nono trabalho dos seus 12 anos de carreira e está chegando nos formatos CD, DVD, Blu-Ray e LP. Gravado ao vivo em Setembro deste ano no Citibank Hall, o dia vem inspirado na nova paixão da cantora: a pintura.

Embora tenha começado na adolescência, já havia um tempo que Ana Carolina não pintava com tanta frequência. O retorno se deu durante as "conturbadas" gravações do disco Estampado. Empolgada com o que registrava nas telas, ela decidiu montar um show refinado junto com Délia Fischer (piano), Gretel Paganini (violoncello) e Lanlan (percussão). Assim, o quarteto mostra releituras da carreira de Ana (Carvão, Pra rua me levar) e versões inéditas de Caetano Veloso (Rai das Cores), Djavan (Azul) e Leandro & Leonardo (Entre tapas e beijos).

Quem quiser conhecer os traços de Ana Carolina, ela tem usado suas telas como cenário da nova turnê. Inclusive, parte das vendas dos quadros ela tem doado para entidades ligadas à prevenção da diabetes, doença que ela mesma sofre desde os 16 anos. Por e-mail, a mineira conversou com o Buchicho sobre sua recente ligação com a pintura e contou mais sobre o novo show. Acompanhe.

O POVO - No texto de divulgação do novo disco, você diz que Estampado foi "emocionalmente conturbado". Como foi isso?

Ana Carolina - Foi um período de muitas pressões externas e a pintura me aliviava, me transportava para lugares desconhecidos em mim.

O POVO - Foi nessa época que você descobriu a pintura. Como isso aconteceu?

Ana - Gosto de pintar desde pequena, de 2002 pra cá comecei a produzir muito. A pintura foi a forma como eu consegui encontrar a minha música naquele período.

O POVO - Onde e com que frequência você pratica a pintura?

Ana - Gosto de pintar em casa, geralmente à noite. Há uma semana, pintei de oito da noite até às quatro da manhã, sem parar. Eu não pinto. Eu me envolvo com a tela, vivo com a tela, questiono meus traços, faço as pazes com eles. É como uma relação de casamento com as telas.

O POVO - Para o novo disco, você encontrou um time de mulheres. Qual era a sua concepção para esse show e qual a ligação dessa sonoridade com a pintura?

Ana - Eu queria uma formação mais intimista. Buscar uma sonoridade de banda e ser mais um músico no grupo. Com as meninas funcionou muito bem. Tivemos uma identificação imediata que fez com que a sonoridade se integrasse naturalmente com a parte visual. E, é lógico, a escolha do repertório que tem tudo a ver com a pintura.

O POVO - O show explora seu lado mais intérprete. Como você selecionou o repertório. 

Ana - Procurei misturar músicas que situassem o conceito do show, como Rai das Cores, do Caetano e Azul, do Djavan. Compus As Telas e Elas que também fala desse universo. Sempre quis cantar Todas elas juntas num só ser, do Lenine, e acho que ficou especial com as meninas. Misturei sucessos, canções minhas que eu não havia gravado, como Stereo e Simplesmente Aconteceu, alguns sucessos e mais três inéditas lindas: Problemas, Você Não Sabe, do Totonho Villeroy, e o samba Pra Tomar Três, minha primeira parceria com o (compositor carioca) Edu Krieger. Quando vi estava pronto, de forma orgânica.

O POVO - Você tem regularmente suas músicas em trilhas de novela. Como nascem essas canções? Você recebe muitas encomendas?

Ana - Não componho pensando em novela, mas minhas músicas falam de relações e sentimentos. Acho que por isso se encaixam nas tramas.

O POVO - Depois da música e da pintura, nunca pensou em tentar uma experiência no cinema ou na TV? Já recebeu algum convite?

Ana - Esse ano fiz a minha primeira parceria com o Guinga, a música Leveza de Valsa para o filme Meu País (André Ristum), que acabou ganhando o prêmio de melhor trilha sonora no Festival de Brasília. Isso me encheu de orgulho.

O POVO - Você é atualmente uma das cantoras mais populares do Brasil. Encara isso como uma responsabilidade? Como é a sua relação com o público?

Ana - Prefiro encarar com serenidade e com respeito que uma relação de amor exige.

O POVO - Ao longo da carreira, você já trabalhou com Chico Buarque, Maria Bethânia, Roberto Carlos, Gal Costa e muitos outros grandes nomes da MPB. Do que sonhava quando era iniciante, o que falta conquistar?

Ana - Eu procuro manter a iniciante dentro de mim e me arriscar sempre, como nesse show.

O POVO - O Chico Buarque, inclusive, fez questão que você entrasse num tributo (Songbook) que foi dedicado a ele. Como você recebeu esse convite?

Ana - Como se recebe um convite do Chico? Com toda a alegria do mundo! Né não?

O POVO - Você é uma ótima violonista e nesse disco você canta uma relação de amor ao violão. Você pratica muito? Quem são seus violonistas preferidos?

Ana - A música se chama O Violão de Paulo Cesar Pinheiro e Sueli Costa, uma declaração de amor ao instrumento que eu compartilho e é o momento mais acústico do show. Meu violonista preferido é o Guinga!

O POVO - Aliás, você costuma tocar vários instrumentos no palco. Qual lhe dá mais prazer? Tem algum que você ainda pretende aprender?

Ana - Sou autodidata! Por isso tirar um som de um instrumento é uma festa para mim. Eu adoro tocar o pandeiro.

O POVO - Ensaio de Cores traz uma canção hilária sobre a boêmia (Pra tomar três). Você gosta da noite e de "tomar três"?

Ana - Eu gosto de sair, ver os colegas se apresentando, ir na Lapa. Quando posso, eu tomo três sim!

O POVO - Como foi a sensação de exibir seus quadros numa exposição em São Paulo? Pretende viajar com essa exposição?

Ana - Pela primeira vez expus numa galeria de arte (Romero Britto, em São Paulo) para um público especializado. Me senti nervosa, uma iniciante.

O POVO - Após esse Ensaio das Cores, você já tem algum outro projeto em vista?

Ana - Ainda não, pretendo viajar com esse show que está me dando muito prazer.

Serviço:

Ensaio de Cores - Ao Vivo
O que: novo disco ao vivo da cantora e compositora mineira Ana Carolina/ 15 faixas/ Gravadora Sony Music.

Preço: R$ 19,90 (CD), R$ 39,90 (DVD) e R$ 59,90 (blu-ray)

Discografia:

- Ana Carolina (1999)
- Ana Rita Joana Iracema e Carolina (2001)

- Estampado (2003)
- Ana & Jorge (2005)

- Dois Quartos (2006)
- Multishow Ao Vivo: Dois Quartos (2008)

- N9ve (2009)
- Ana Carolina + Um (2009)

Saiba mais:

Ana Carolina abriu na última segunda - feira (5) em São Paulo uma com 15 telas de sua autoria. Batizado também como Ensaio de Cores, a mostra encerra hoje.

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