quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

AS CANÇÕES E A PINTURA DE ANA CAROLINA



FONTE:  http://ow.ly/i/nyEf/original  http://ow.ly/i/nyEf/original                                                                

A CANTORA ANA CAROLINA VENDE SUAS TELAS PARA AJUDAR A ALERTAR DIABÉTICOS COMO ELA


Ana Carolina tinha 16 anos quando descobriu que sofria de diabetes. De lá para cá - hoje a cantora tem 37 -, desenvolveu uma espécie de obsessão para se manter saudável, que influencia até seu projeto "Ensaio de Cores". As telas, que ela pintou para o cenário do show, agora registrado em CD, terão parte do dinheiro de sua venda revertida para ONGs de prevenção à doença.

- Faço o exame do dedinho 12 vezes por dia. Não abro mão, faço mesmo. Como você faz para controlar a diabetes? Tendo informação sobre o seu corpo, e milhões de brasileiros não sabem que são diabéticos. Quando descobrem já estão com os rins comprometidos - diz ela.

Por isso, Ana quer ajudar quem precisa a entrar nessa batalha o quanto antes.

- Ser diabético é lutar sempre, 24 horas, 365 dias por ano. O meu esquema é me observar. A glicose está subindo, opa, vou tomar insulina. E comer porque está caindo. Não posso desistir de mim - garante ela, que no início enfrentou dificuldades para se tratar: - Quando descobri não tinha grana nenhuma, juntava dinheiro para comprar corda de violão e fazia xixi numa fitinha para ver a glicose. É uma doença que é cara, mas hoje o SUS dá insulina. E o importante não é dieta rígida, mas seus exames estarem bons. O último e-mail do meu médico dizia que os meus estão excelentes.

E a vontade de aumentar a informação sobre a doença tem movido Ana Carolina a falar sobre o assunto.

- Tem uma menina diabética que frequenta os meus shows e vejo que ela tem muita força por minha causa. Ela me disse que ouvia meu disco e pensava: "A Ana leva uma vida normal". Ajudo essa menina a não parar de lutar. E isso se reflete na minha carreira. O "Ensaio de Cores" é um projeto na contramão. Seria fácil viver à sombra do sucesso, mas isso não quero fazer.

FONTE: Extra.                                                                                     

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

"COM ELAS EU ME SINTO A VOCALISTA DE UMA BANDA", DIZ ANA CAROLINA SOBRE SHOW GRAVADO COM TRÊS MULHERES INSTRUMENTISTAS

Ana Carolina, a percussionista Lan Lan, a pianista Délia Fischer, a violoncelista Gretel Paganini

Ela usa tintas a óleo ou acrílicas, ora com pincéis, ora com as mãos. Explora técnicas de pintura como as do americano Jackson Pollock e, nas horas vagas, é multi - instrumentista, canta e compõe. Este é o atual retrato da cantora Ana Carolina, que este mês lança "Ensaio de Cores Ao Vivo", projeto que inclui CD, DVD e exposição de seus quadros. Para contar detalhes do novo trabalho, a artista recebeu a reportagem do UOL em sua casa, no bairro do Jardim Botânico, na zona sul do Rio, em um bate - papo que abordou música, artes plásticas e como encara o diabetes.

A ligação entre Ana Carolina e as artes plásticas surgiu no início dos anos 2000, durante a produção do álbum "Estampado". Segundo a cantora, foram seis meses em que ela ficou plenamente concentrada na realização do disco, período em que a pintura apareceu como uma espécie de válvula de escape. "Eu ficava só no estúdio (gravando) e em casa, pintando. Depois desse disco, eu não consegui mais largar a pintura. Passava horas pintando. Nos fins de semana, as pessoas me chamavam para sair e nada me importava, o mundo era preto - e - branco. Eu queria ficar ali, pintando", recorda.

"Pra mim, o principal, coisa que nem todos os diabéticos concordam, é fazer o exame regularmente. Eu faço 12 exames de ponta de dedo por dia."
                                                                      Ana Carolina, sobre como controla o diabetes.    

Depois de acumular mais de 30 telas espalhadas pelos quatro cantos da casa, Ana Carolina percebeu que era preciso encontrar um destino para suas criações. A solução que mais lhe agradou foi organizar uma mostra e doar parte do dinheiro da venda dos quadros a uma instituição filantrópica. Como a artista tem diabetes do tipo 1 desde os 16 anos, a beneficiária da causa foi a Associação dos Diabéticos. Veio daí a ideia de montar um show, posteriormente batizado de "Ensaio de Cores", que também incluísse a exposição (e venda) de seus quadros no foyer dos teatros por onde o espetáculo passasse. O sucesso da turnê acabou gerando a gravação do CD e DVD "Ensaio de Cores Ao Vivo", em setembro, no Citibank Hall, no Rio de Janeiro.

Ana Carolina faz show para o DVD de "Ensaio de Cores", no Citibank Hall Rio, no Rio de Janeiro (2/9/2011)

Como se tratava de um projeto totalmente singular em sua trajetória, Ana Carolina decidiu buscar também novos matizes para sua música. E aproveitou para dar vazão a outro desejo: tocar com uma banda só por mulheres. O resultado acabou mexendo com a própria percepção de Ana Carolina no palco: "Com os músicos que me acompanham, eu me sinto uma cantora. Mas com elas eu me sinto a vocalista de uma banda, parece que a gente tem uma banda. Tanto que não teve participação especial. Era só a gente tocando, uma banda. E foi um negócio tão bacana...", comemora.

Délia Fischer (piano), Gretel Paganini (violoncelo) e Lan Lan (bateria e percussão), além da própria Ana Carolina (voz e violão), formaram o time responsável por achar esta nova sonoridade, acústica e mais intimista. Ao mesmo tempo, era preciso encontrar algumas canções que tivessem relação com o conceito do trabalho. "Por isso eu escolhi "Rai das Cores", do Caetano; e "Azul", do Djavan. E compus "As telas e elas", especialmente para este trabalho. Depois, outras canções foram surgindo", conta a cantora.

Se na parte musical do projeto Ana Carolina confiava em sua longa experiência na estrada, como pintora ela sentiu a insegurança de uma iniciante. Antes de fazer a exposição, a artista então convidou alguns amigos, pintores de ofício para avaliarem o trabalho. Amigos estes que deram conselhos e ajudaram - na a organizar o material que seria exposto. "Quando eu comecei a pintar, parecia um músico de bar, um garoto que toca rock, bossa nova, samba... Que ainda não sabe qual é a sua onda. Eu usava várias técnicas", admite.

Mesmo com o auxílio de amigos artistas plásticos, a inauguração de uma mostra de quadros, para uma cantora e compositora, gerou uma ansiedade típica de uma estreante. "No palco, eu arrumei uma maneira de vencer a timidez. Eu sabia que, se quisesse fazer aquilo, teria que subir no palco e tocar, encarar a situação. Mas em uma exposição não tem música ali, junto, como em um show. As telas estão ali e as pessoas querem discutir com você. No dia da exposição eu parecia uma noiva. Não sabia direito o que fazer. Foi uma experiência diferente, como uma iniciante. Era algo novo", lembra.

Se encarar uma mostra com seus quadros foi difícil, doar parte do dinheiro arrecadado à Associação dos Diabéticos e mesmo lidar com a doença já são coisas naturais para Ana Carolina. Segundo a cantora, cuidar da saúde é algo que vira corriqueiro, "como escovar os dentes". O mais importante em seu caso, diz a artista, é monitorar a glicemia (taxa de glicose no sangue) permanentemente, o que ela faz, em média, 12 vezes por dia. "Faço ao acordar, duas horas depois do café, antes de malhar, depois de malhar, antes do almoço, duas horas depois do almoço, no meio da tarde, antes do jantar, duas horas depois do jantar... Se eu for sair e ficar acordada até mais tarde, então, faço umas 15 ou 16 vezes por dia", diz.
  
Ana Carolina abre exposição Ensaio de Cores na Galeria Romero Britto em SP (5/12/11)
                                                                                
"O que me ajuda a me controlar é a informação que tenho sobre mim. Se eu faço o exame de ponta de dedo e vejo minha glicose o dia todo, eu sei exatamente como estou e me corrijo, se for preciso. O diabético não pode parar de lutar nunca, tem que lutar sempre. Ele tem que saber isso", ensina. Satisfeita com o lançamento de "Ensaio de Cores Ao Vivo", Ana Carolina comemora ainda o sucesso da música "Problemas", que faz parte da trilha sonora da novela "Fina Estampa", da TV Globo. A faixa, produzida isoladamente, acabou sendo incluída em "Ensaio de Cores Ao Vivo", já que a cantora não tem previsão de lançar um novo álbum de inéditas em curto prazo.

Em 2011, além de excursionar com seu projeto 'pictórico - musical', Ana Carolina arrumou espaço em sua aquarela para ouvir e assistir a novos trabalhos, especialmente de alguns amigos. "Eu gostei muito do show do Filipe Catto. E gosto muito do disco da minha querida amiga Maria Gadú. Acho ela f..., gosto dela pra caramba. No próximo disco dela tem uma parceria nossa, chamada 'Reis'. E também gosto muito da Thaís Gulin", indica.

FONTE: UOL.                                                                                                                                                                                                                                                  

sábado, 17 de dezembro de 2011

'FIZ UM MONTE DE LOUCURINHA ATÉ ACHAR MINHA ONDA', DIZ ANA CAROLINA

Ela lança o CD - DVD 'Ensaio das Cores', que mostra sua paixão pela pintura. Veja obras da cantora, que diz pintar 'das oito da noite até cinco da manhã'.


Quando Ana Carolina não está nos palcos, na turnê que deu origem ao disco "Ensaio das Cores", a chance é grande de ela estar pintando com um de seus 150 pincéis. Afinal, ela diz ficar de "oito da noite até cinco da manhã" criando seus quadros.

Em entrevista ao G1, a cantora fala de seu novo CD - DVD ao vivo, mas se empolga mais ao detalhar a paixão por cores e telas. Ana Carolina descreve a força das novelas, elogia sua banda só de mulheres e conta que a amiga Cássia Eller (1962 - 2001) costumava andar pelada pela casa.

G1 - Quando você começou a pintar e quando sentiu a necessidade de juntar pintura e música em um só projeto?

Ana Carolina - Eu comecei a pintar em 2000 e poucos. Quando vi tinha várias telas em casa, meus amigos pediam e eu não tinha vontade de fazer nada com aquilo. Não conseguia descobrir o momento que a tela acabava, continuava pintando eternamente. Chegou uma hora que pensei: só se for para fazer um projeto, ou fazer leilão para uma ONG. Pensei na associação dos diabéticos, porque sou diabética desde os 16 anos. Depois, pensei no show com músicas sobre o assunto ("Azul" do Djavan, "Rai das Cores" do Caetano). Consegui o link que precisava entre as telas e as músicas.

"No dia da vernissage, parecia uma noiva no dia do casamento.  Estava 'nervosassa' pensando: 'o que eu vou falar?'. Foi doido. Todo mundo fica avaliando, discutindo sobre aquilo. Eu fiz um monte de loucurinha até achar minha onda. Tinha uma coisa meio Pollack de jogar tinta na tela."
                                                                                      - Ana Carolina
G1 - Sua primeira exposição individual começou neste mês na galeria Romero Britto. Como foi escolher as telas, como é seu trabalho como pintora?

Ana Carolina - Eu fico de oito da noite até cinco da manhã. Compro a lona, lavo a lona. Eu fico horas preparando as misturas, tenho 150 pincéis. No dia da vernissage eu parecia uma noiva no dia do casamento. Estava "nervosassa", pensando: "o que eu vou falar?". Foi muito doido. Todo mundo fica olhando, avaliando, discutindo sobre aquilo. Eu fiz um monte de loucurinha até achar a minha onda. Tinha uma coisa meio [Jackson] Pollack de jogar a tinta na tela.

G1 - É difícil o desapego com a tela?

Ana Carolina - Não tanto, porque eu sou esperta. Acabei de pintar um negócio. Com custo, decido que aquilo terminou. Chamo um fotógrafo e ele tira uma foto bacanuda em alta [resolução] para mim. A foto é tirada em estúdio. Me falaram que isso é meio neurótico. Eu tenho que entregar a tela para a pessoa que comprou e ver a cara dela. O dono tem que pegar um avião ou eu a entrego quando faço um show perto de quem comprou. Ainda não sou dessas artistas plásticas que desapegam. Já vendi 18 telas assim e tenho outras 48 prontas.


G1 - Porque decidiu montar uma banda só de mulheres para este show? Qual a diferença em ser acompanhada só por mulheres?

Ana Carolina - Eu fiquei parecendo a vocalista de uma banda, senti mais músico do que nunca. Com elas, eu me sinto mais músico. Com a banda masculina, eu era mais a cantora. A intensidade com a qual se toca é diferente quando há quatro mulheres no palco. Quando é para ser mais delicado, é mais delicado, quando é pra ser pesado é um arroubo de peso, é uma coisa de útero. A Délia Fischer me deu quatro meses de aula de piano um tempo atrás. Eu acho que ela é um monstro. A Lan Lan não poderia ficar de fora. Quando se pensa em baterista e percussionista mulher, penso nela. Ficou uma cara de banda. Realizei essa fantasia. O projeto pode voltar daqui a dois ou três anos, com essa formação.

"Eu fiquei parecendo a vocalista de uma banda, senti mais músico do que nunca. Com elas eu me sinto mais músico. Com a banda masculina, eu era a cantora. A intensidade com a qual se toca é diferente quando há quatro mulheres. Quando para ser mais delicado é mais delicado, quando é pra ser pesado é um arroubo de peso, é uma coisa de útero."
                                                                                        - Ana Carolina
G1 - Como foi a composição de 'Pra tomar três' com o Edu Krieger? E a escolha das outras canções?

Ana Carolina - Eu estava com essa sacada há um tempão na cabeça, querendo fazer um lance. Eu liguei para ele e a gente nem se conhecia. Quando aparece um compositor legal, é difícil esperar a oportunidade de falar com a pessoa. Sou ansiosa, consegui o celular e liguei. Eu mostrei para ele o verso e logo depois ele me mandou a letra toda. Fizemos tudo mais ou menos juntos. Foi um prazer ter trabalhado com ele. "Stereo" é uma música que fiz há um tempão para a Preta Gil. Se a música estava tocando bem, também queria me dar bem. "Você não sabe" tinha um cheirinho de "Garganta". É uma letra revoltadinha, meio "eu sou mais eu".


G1 - Você já vendeu cinco milhões de CDs e DVDs. Tem interesse em saber dos números de vendas, de execuções em rádios? É algo que acompanha?

Ana Carolina - Eu tenho interessa quando alguém chega para mim e fala: "vendeu tanto". Eu digo: "que legal". Tem uma coisa que acontece com 12 anos de carreira... Você já tem um público que compra o disco sem precisar ouvir. Eu sou fã do Lou Reed, eu vou comprar o CD e f..., sabe? Se tem música ou não, quero ouvir. Isso acontece de maneira natural. Hoje eu sei que no mínimo 50 mil cópias eu devo vender.


G1 - 'Problemas' é tocada em 'Fina Estampa' e está estourada nas rádios, muito por isso. É mais fácil emplacar uma música com ela na trilha de uma novela?

Ana Carolina - É inegável. No momento que toca na novela, tem 50 milhões de pessoas ouvindo. Não tem rádio que consiga isso. Você coloca a cara a tapa à beça. Eu não acredito que a dramaturgia faça o cara gostar da música. O cara pode ouvir e falar: "odeio essa música". Você meio que invade a casa do cara. Eu acho que o negócio é bem feito. Eu nunca vi uma música minha que não tivesse a ver com a dramaturgia. "Garganta" era uma música super dedo em riste e era da personagem da da Débora Bloch em "Andando nas nuvens". É bem escolhido, não são músicas que não têm nada a ver. "Problemas" é trilha dos personagens de Dan Stulbach e Julia Lemmertz; e eles vivem brigando.

G1 - Você ficou um tempo na casa da Cássia Eller quando foi para o Rio e no fim do mês completam - se 10 anos da morte dela. Que memórias você tem da Cássia daqueles tempo de convivência intensa?

Ana Carolina - Na verdade eu só ficava na casa dela no Rio porque ela era muito amiga de uma amiga minha. Por isso, não tinha grana para ficar em hotel, não tinha grana para pagar o roadie. Ela era gente boa pra c... e me acolhia. Ela chegou a pagar um roadie para tocar comigo e foi a um show. Foi uma relação curta, um tempinho, mas foi muito legal. Ela sempre falou do meu trabalho com boa vontade e generosidade. Lembro de uma vez de manhã, a gente dormia na sala, toca a buzina e ela vem pelada pelo corredor afora e vai na janela e grita: "peraí, já tô descendo". Foi engraçado. [risos]

FONTE: G1.                                                            
 

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

CANTORA ANA CAROLINA: UMA DAS ATRAÇÕES DA MPB QUE DEVERÃO TER SUAS MÚSICAS VENDIDAS PELO iTUNES


FONTE: Revista Veja.                                                                            

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

ANA CAROLINA PRESTIGIA SHOW DE MARIA GADÚ NO RIO DE JANEIRO


A apresentação foi em uma casa na Zona Oeste da cidade, neste sábado, 10.

Ana Carolina engrossou a plateia do show de Maria Gadú neste sábado 10, no Citibank Hall, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

FONTE: Site Ego.                                                                               

MISTURA DE SOM E CORES

Inspirada na pintura, sua nova paixão, Ana Carolina conversou com o Buchicho sobre seu novo trabalho, Ensaio de Cores, que acaba de chegar às lojas em CD, DVD e Blu-ray

                                                            
Uma das vozes mais marcantes dos últimos anos, a mineira Ana Carolina está de volta às lojas com um novo disco. Ensaio de Cores é o nono trabalho dos seus 12 anos de carreira e está chegando nos formatos CD, DVD, Blu-Ray e LP. Gravado ao vivo em Setembro deste ano no Citibank Hall, o dia vem inspirado na nova paixão da cantora: a pintura.

Embora tenha começado na adolescência, já havia um tempo que Ana Carolina não pintava com tanta frequência. O retorno se deu durante as "conturbadas" gravações do disco Estampado. Empolgada com o que registrava nas telas, ela decidiu montar um show refinado junto com Délia Fischer (piano), Gretel Paganini (violoncello) e Lanlan (percussão). Assim, o quarteto mostra releituras da carreira de Ana (Carvão, Pra rua me levar) e versões inéditas de Caetano Veloso (Rai das Cores), Djavan (Azul) e Leandro & Leonardo (Entre tapas e beijos).

Quem quiser conhecer os traços de Ana Carolina, ela tem usado suas telas como cenário da nova turnê. Inclusive, parte das vendas dos quadros ela tem doado para entidades ligadas à prevenção da diabetes, doença que ela mesma sofre desde os 16 anos. Por e-mail, a mineira conversou com o Buchicho sobre sua recente ligação com a pintura e contou mais sobre o novo show. Acompanhe.

O POVO - No texto de divulgação do novo disco, você diz que Estampado foi "emocionalmente conturbado". Como foi isso?

Ana Carolina - Foi um período de muitas pressões externas e a pintura me aliviava, me transportava para lugares desconhecidos em mim.

O POVO - Foi nessa época que você descobriu a pintura. Como isso aconteceu?

Ana - Gosto de pintar desde pequena, de 2002 pra cá comecei a produzir muito. A pintura foi a forma como eu consegui encontrar a minha música naquele período.

O POVO - Onde e com que frequência você pratica a pintura?

Ana - Gosto de pintar em casa, geralmente à noite. Há uma semana, pintei de oito da noite até às quatro da manhã, sem parar. Eu não pinto. Eu me envolvo com a tela, vivo com a tela, questiono meus traços, faço as pazes com eles. É como uma relação de casamento com as telas.

O POVO - Para o novo disco, você encontrou um time de mulheres. Qual era a sua concepção para esse show e qual a ligação dessa sonoridade com a pintura?

Ana - Eu queria uma formação mais intimista. Buscar uma sonoridade de banda e ser mais um músico no grupo. Com as meninas funcionou muito bem. Tivemos uma identificação imediata que fez com que a sonoridade se integrasse naturalmente com a parte visual. E, é lógico, a escolha do repertório que tem tudo a ver com a pintura.

O POVO - O show explora seu lado mais intérprete. Como você selecionou o repertório. 

Ana - Procurei misturar músicas que situassem o conceito do show, como Rai das Cores, do Caetano e Azul, do Djavan. Compus As Telas e Elas que também fala desse universo. Sempre quis cantar Todas elas juntas num só ser, do Lenine, e acho que ficou especial com as meninas. Misturei sucessos, canções minhas que eu não havia gravado, como Stereo e Simplesmente Aconteceu, alguns sucessos e mais três inéditas lindas: Problemas, Você Não Sabe, do Totonho Villeroy, e o samba Pra Tomar Três, minha primeira parceria com o (compositor carioca) Edu Krieger. Quando vi estava pronto, de forma orgânica.

O POVO - Você tem regularmente suas músicas em trilhas de novela. Como nascem essas canções? Você recebe muitas encomendas?

Ana - Não componho pensando em novela, mas minhas músicas falam de relações e sentimentos. Acho que por isso se encaixam nas tramas.

O POVO - Depois da música e da pintura, nunca pensou em tentar uma experiência no cinema ou na TV? Já recebeu algum convite?

Ana - Esse ano fiz a minha primeira parceria com o Guinga, a música Leveza de Valsa para o filme Meu País (André Ristum), que acabou ganhando o prêmio de melhor trilha sonora no Festival de Brasília. Isso me encheu de orgulho.

O POVO - Você é atualmente uma das cantoras mais populares do Brasil. Encara isso como uma responsabilidade? Como é a sua relação com o público?

Ana - Prefiro encarar com serenidade e com respeito que uma relação de amor exige.

O POVO - Ao longo da carreira, você já trabalhou com Chico Buarque, Maria Bethânia, Roberto Carlos, Gal Costa e muitos outros grandes nomes da MPB. Do que sonhava quando era iniciante, o que falta conquistar?

Ana - Eu procuro manter a iniciante dentro de mim e me arriscar sempre, como nesse show.

O POVO - O Chico Buarque, inclusive, fez questão que você entrasse num tributo (Songbook) que foi dedicado a ele. Como você recebeu esse convite?

Ana - Como se recebe um convite do Chico? Com toda a alegria do mundo! Né não?

O POVO - Você é uma ótima violonista e nesse disco você canta uma relação de amor ao violão. Você pratica muito? Quem são seus violonistas preferidos?

Ana - A música se chama O Violão de Paulo Cesar Pinheiro e Sueli Costa, uma declaração de amor ao instrumento que eu compartilho e é o momento mais acústico do show. Meu violonista preferido é o Guinga!

O POVO - Aliás, você costuma tocar vários instrumentos no palco. Qual lhe dá mais prazer? Tem algum que você ainda pretende aprender?

Ana - Sou autodidata! Por isso tirar um som de um instrumento é uma festa para mim. Eu adoro tocar o pandeiro.

O POVO - Ensaio de Cores traz uma canção hilária sobre a boêmia (Pra tomar três). Você gosta da noite e de "tomar três"?

Ana - Eu gosto de sair, ver os colegas se apresentando, ir na Lapa. Quando posso, eu tomo três sim!

O POVO - Como foi a sensação de exibir seus quadros numa exposição em São Paulo? Pretende viajar com essa exposição?

Ana - Pela primeira vez expus numa galeria de arte (Romero Britto, em São Paulo) para um público especializado. Me senti nervosa, uma iniciante.

O POVO - Após esse Ensaio das Cores, você já tem algum outro projeto em vista?

Ana - Ainda não, pretendo viajar com esse show que está me dando muito prazer.

Serviço:

Ensaio de Cores - Ao Vivo
O que: novo disco ao vivo da cantora e compositora mineira Ana Carolina/ 15 faixas/ Gravadora Sony Music.

Preço: R$ 19,90 (CD), R$ 39,90 (DVD) e R$ 59,90 (blu-ray)

Discografia:

- Ana Carolina (1999)
- Ana Rita Joana Iracema e Carolina (2001)

- Estampado (2003)
- Ana & Jorge (2005)

- Dois Quartos (2006)
- Multishow Ao Vivo: Dois Quartos (2008)

- N9ve (2009)
- Ana Carolina + Um (2009)

Saiba mais:

Ana Carolina abriu na última segunda - feira (5) em São Paulo uma com 15 telas de sua autoria. Batizado também como Ensaio de Cores, a mostra encerra hoje.