sábado, 6 de agosto de 2011

ENTREVISTA COM ANA CAROLINA NO FESTIVAL DE MONTREUX - SUÍÇA

Ana Carolina deu entrevista à swissinfo.ch no Festival de Jazz de Montreux.

Segue a entrevista completa transcrita pelo Fã Clube Donana Carolina.



swissinfo.ch: Ana você já tem uma carreira muito importante no Brasil e agora chega a Montreux pela primeira vez. Por que demorou tanto tempo para chegar a um festival tão conhecido, até mesmo para os brasileiros?

Ana Carolina: Eu fiquei um bom tempo da minha carreira sem pensar no mercado internacional, sem sair do Brasil. Acho que foi até bom, pois quando eu saí do Brasil já estava consolidada de uma maneira muito importante. Então eu não corri aquele risco de cometer um erro saindo do meu país e me embolar com o mercado internacional antes de me firmar no Brasil. Então de alguma maneira foi importante ter acontecido assim desta maneira. E o festival de Montreux que eu escuto falar a tantos anos, é realmente uma honra muito grande estar aqui. Estou muito feliz, excitada de estar fazendo esse show aqui hoje. Acho que o show vai ser bom.

swissinfo.ch: E você acha que passar por Montreux pode mudar alguma coisa na sua carreira?

Ana Carolina: Acho que sim. Acho que os olhos do mundo se voltam pra cá durante este festival e acho que isso é uma ponte para que eu vá a outros países ou a que eu pelo menos volte aqui de novo. 

swissinfo.ch: Muitos artistas brasileiros voltam frequentemente a Montreux e esse pode ser o seu caso. Você acha que a sua música pode ser bem aceita e bem compreendida pelo público suíço?

Ana Carolina: Tomara que eu volte. Eu preparei um repertório, dentre umas 300 músicas, que tivesse a ver com o festival e com a música brasileira, que não fugisse do que se espera da música brasileira. Então o que eu poderia ter feito quanto ao repertório eu fiz. Então, a questão agora é ir pro palco, tocar com convicção, acreditando, com sentimento e fazer um show bacana. Eu estarei adorando estar ali e acho que isso ajuda a fazer com que as pessoas gostem, quando estamos felizes, fazendo o que você quer e o que está afim.
  
swissinfo.ch: E você gosta muito de público?

Ana Carolina: Eu gosto muito. Gosto mais de público que de música. Gosto de gente, das pessoas. Acho que eu uso o veículo "música" pra conseguir tocar as pessoas. E isso é mais importante até do que a música.

swissinfo.ch: Quando você toca em um país diferente como no caso da Suíça, você sente uma certa apreensão em saber como o público vai reagir e se você irá conseguir se comunicar com esse público?

Ana Carolina: É uma experiência única. Eu me divirto muito analisando as coisas. Sou virginiana então eu adoro fazer uma análise das coisas, entende? Então quando eu estou ali no palco, com um público que não me conhece, como o público suíço, eu irei no mínimo me divertir bastante observando aquilo que toca ou que não toca as pessoas, que hora as pessoas não estão prestando muito atenção, ou gostou mais, ou se levantou e começou a dançar. Adoro fazer esse estudo na hora do show. Eu me divirto bastante.

swissinfo.ch: De vez em quando você toca pra uma pessoa específica no meio desse público todo?

Ana Carolina: Ah, sim. E tenho mais a dizer. Tem alguns artistas que dizem que não conseguem ver nada do público por causa da luz. É mentira. Os artistas veem, pode colocar um canhão de luz o que for. Eu vejo da primeira até a última pessoa. Obviamente em lugares que eu canto pra 10 mil pessoas não dá, mas eu consigo ver bastante até lá na frente. Vejo a reação de todo mundo, percebo muito bem o público. Dá pra ver sim. E isso é que é o divertido, é você poder ver o público.


swissinfo.ch: Você que gosta muito de fazer show, de público... Você não tem problemas em vender discos porque você sempre tocou muito em público não é?

Ana Carolina: A questão da pirataria é uma coisa séria no Brasil, porque realmente acontece de uma forma perigosa. Acho que eu já vendi 5 milhões de discos regulares. Sem contar com a pirataria seriam 10 ou 15 milhões, então isso é um dado importante. Agora com o download na internet sendo regularizado, acho que esse problema vai amenizar um pouco. Já fizeram uma pesquisa testando o público da internet. Você pode pagar 0,99 centavos pela música tal ou você pode baixar de graça. A maioria vai pagar os 99 centavos pra comprar aquela faixa. É um público que está interessado em comprar, em estar em um site seguro, que está cobrando, mas o mp3 vai chegar uma faixa clara, sem problema algum. É uma coisa bacana, acho que é por aí. A gente tem que começar a contar com isso e entrar por esse outro lado. Não adianta chorar pelo leite derramado.

swissinfo.ch: O fato de você ter demorado a sair e se consolidar do mercado Brasileiro também não tem a ver com o próprio mercado no Brasil que é muito grande? Dá pra viver do mercado brasileiro?

Ana Carolina: Claro. Eu por escolha, não sou daquelas pessoas que fazem 15 shows por mês. Prefiro fazer poucos shows e bons, ao invés de ficar ali loucamente... Mas podemos fazer 100, 120 shows por ano no Brasil, só no Brasil, nas várias capitais e cidades. É um país muito grande. Então dá pra viver muito bem no Brasil de shows.

swissinfo.ch: Em todo caso, esperamos que dê tudo certo pra você em Montreux. Muito obrigada. 

Ana Carolina: Pra gente voltar. Obrigada a vocês, o prazer foi todo meu.

Se você possui o Real Player, escute o áudio completo da entrevista AQUI. 

FOTOS: Alexandre Chatton

FONTE: swissinfo.ch 
                                                                                                                                                                                                                 

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