sexta-feira, 26 de agosto de 2011

DEMORADO ENCONTRO COM A VOZ DE ANA CAROLINA


Uma questão de números. Ana Carolina nasceu no nono dia do mês nove; o primeiro dos seus nove álbuns foi lançado em 1999 e quando em 2009, quis celebrar um álbum os dez anos da sua carreira, ela descobriu que, coincidentemente, tinha nove canções prontas para gravar. Não havia muito o que pensar ao colocar um título no novo CD: Nove ou N9ve, como ela prefere a ortografia. Dizem que a gravadora respeitando a coincidência numérica distribuiu 99.999 exemplares do disco, número da sorte, fato este que não parece improvável quando se leva em consideração que a artista que nasceu a quase 37 anos em Juiz de Fora, Minas Gerais, vendeu mais de cinco milhões de álbuns.

N9ve é o título do show transformado em uma longa turnê nacional e internacional e agora trazido pela primeira vez hoje à Argentina para o público local. "N9ve - diz ela - marcou o fim de um ciclo muito importante na minha vida. Ao completar 10 anos de uma carreira muito feliz, eu quis me dar o prazer de cantar com o John Legend, Esperanza Spalding e Chiara Civello" (e o fez durante a turnê que começou em 2009 e em seu mais recente CD e DVD de duetos, N9ve + um, que também envolveu Maria Bethânia, Zizi Possi, Seu Jorge e Angela Ro Ro, etc). "Além disso, fiz música com o Gilberto Gil e o Mombaça, o samba "Torpedo". E agora eu estou preparando os próximos dez anos, com novos parceiros e com muita música".

A música vem de família. A avó cantava no rádio e tios tocavam percussão, piano, violino e violoncelo. Ela fingia ser cantora, enquanto ouvia Bethânia, Chico Buarque, Nina Simone e João Bosco (de quem aprendeu escutando, a tocar violão sozinha). Aos 18 anos, ela começou a cantar em bares de sua cidade natal e em cidades do interior de Minas Gerais, viajando com uma amiga produtora na sua parati. Essa foi a sua escola, ela diz, e assim também começou a compor. Cinco anos de aprendizado e crescimento que a levaram a uma primeira apresentação no Mistura Fina, Rio de Janeiro, bar carioca de prestígio na cidade. O encontro com Luciana de Moraes, filha de Vinícius, abriu outras portas, até que ela assinou seu primeiro contrato com uma gravadora. Logo, a sua voz de poderoso contralto atraiu a atenção, com seu timbre excepcionalmente grave, grande amplitude e vigorosa expressão, habilitando - a às asperesas do rock, ao blues e baladas pop, além de passar através do samba e de outros territórios da música popular brasileira. "Garganta", escolhida como o tema de uma novela, foi seu primeiro grande sucesso, seguido de "Quem de nós dois", um hit da versão do italiano Gianluca Grignani ("La mia storia Tra le dita"). Estes dois títulos fazem parte do repertório para o Gran Rex. "É o mesmo show de grandes sucessos que fazemos no Brasil e lá não podem faltar, assim como 'É isso aí', 'Confesso', 'Encostar na tua', 'Elevador', 'Nua'.

A originalidade do seu trabalho e a sua forte e definida personalidade reveladas naquela primeira gravação se firmou nos anos seguintes, Ana, Rita, Joana, Iracema e Carolina (concebido em torno das mulheres de canções de Chico Buarque), o aclamado Estampado e o encontro feliz com Seu Jorge (Ana & Jorge). Provocativa em cena, é frequente o tema sexual em suas canções e em suas declarações públicas ("Eu gosto do excessivo, prefiro ser mais e não menos, falar mais do que ser sucinta"), como em 2005 quando se declarou na revista Veja como bissexual. Mas sua intenção não é fazer proselitismo. As polêmicas não foram impedimento para receber todo tipo de reconhecimento, o primeiro dos quais foi uma indição ao Grammy pelo seu álbum de estréia.

Como boa virginiana - ela diz - é muito detalhista. "Todos os CDs e os shows são importantes para mim, tanto a parte musical como a parte visual. Para os meus fãs, eu só quero o melhor."

E se você pergunta de onde vem a inspiração da cantora para as músicas ela não hesita: "Da vida, sempre". Ela acrescenta: "Dos personagens inventados, minha verdadeira história, as estórias que eu inventei, pessoas que eu conheço. As canções nascem de arrependimentos, de felicidades, de desilusões. Vem da solidão, das companhias. As canções vêm, e eu estou sempre aberta para recebê - las e ser o seu veículo."

Para agendar:

Ana Carolina: com Pedro Baby Gomes, Marcelo Castro da Costa, Danilo de Oliveira Andrade Tenenbaum, André Rodrigues da Silva, Teatro Gran Rex, Corrientes 857. Hoje, ás 21h30.


FONTE: Lanacione.com
    

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