quarta-feira, 31 de agosto de 2011

ANA CAROLINA NO TEATRO GRAN REX - CRÍTICA

A todo vapor, a cantora brasileira seduziu o público portenho em sua primeira visita à Argentina.

Por Fernando López

Show: Ana Carolina (vocal, guitarra, pandeiro, composição)
Músicos: Marcelo Castro da Costa (bateria), Pedro Baby Cidade Gomes (guitarra), Danilo Oliveira Andrade Tenenbaum (teclados) e André Rodrigues da Silva (baixo)
Local: Teatro Gran Rex. Data: Quinta - feira, 25 de agosto.
Nossa opinião: muito bom

A impaciência do público, que começou a queixar - se quando o começo do show atrasou 10 minutos, foi o primeiro sintoma. Ana Carolina era esperada aqui com muita ansiedade por muitos fanáticos (e fanáticas, vale a pena destacar), na sala do Teatro Gran Rex. A aclamação em resposta à menção de seu nome segundos depois confirmou. Ela percebeu e se colocou a todo vapor desde o início do show. As duas primeiras músicas - "10 Minutos", "Hoje eu tô Sozinha" mereceram versões muito mais veementes e acendiadas do que as versões dos seus álbuns.

A voz poderosa de Ana foi a sua marca registrada: seu timbre encorpado de gravidade incomum, a grande extensão (é um contralto que pode facilmente atingir notas altas), a potência incrível, a fogosidade de um temperamento que algumas vezes ameaça transbordar, a devoção apaixonada a cada uma das canções escolhidas.

Neste caso, ficou claro que a aposta foi para o lado mais roqueiro da sua expressão, impulsionada por um quarteto instrumental que desperdiça e exige potência, e sabe que a voz - o vozeirão - da cantora mineira é capaz de superar o compromisso.

O repertório da apresentação não deixou Ana Carolina passar em branco, com sua atinada mescla de músicas novas ("10 Minutos", "Tá rindo, é?") e sucessos largamente difundidos ("Garganta", que foi seu primeiro sucesso e deixado para o final do show; "É isso aí", um sucesso memorável compartilhado com Seu Jorge; "Confesso", uma das várias parcerias com Totonho Villeroy parceiro frequente, e a altamente contagiosa "Rosas", que levantou o público dos seus assentos).

Mas nem tudo se resumiu às baladas pops com as quais a cantora é identificada desde o início da sua carreira. Houve também um setor mais decididamente brasileiro com Djavan ("Azul" que lhe permitiu mostrar outros recursos da sua garganta), Caetano ("Força Estranha" em uma versão poderosa que imprimiu outros ecos aos versos "Por isso uma força me leva a cantar. por isso essa força estranha no ar/ por isso é que eu canto; não posso parar/ por isso essa voz tamanha") ou com um samba lindo e perfeito como "Cabide".

A esta altura do espetáculo a visível cumplicidade entre Ana e seus músicos já havia se estendido para toda a plateia. E quando o pandeiro (sempre presente nos shows da mineira) fez a sua aparição - nas habilidosas mãos de Ana e dos cinco músicos que estavam no palco -, a canção "Vox populi" se apoderou de todos e a festa estava completa.

Não é demasiadamente arriscado supor que não passará muito tempo antes que a cantora regresse.

FONTE: Lanacione.com
Tradução: Fã-Clube Donana Carolina.   

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