sexta-feira, 25 de março de 2011

ANA CAROLINA EXPÕE QUADROS E REPERTÓRIO EM BELO HORIZONTE

Intérprete reverencia as artes visuais nos shows que apresenta neste fim de semana.

Cinthya Oliveira.

                                                                         
Desde 1999, quando ganhou o Brasil com a música "Garganta", Ana Carolina é um dos principais nomes da indústria fonográfica nacional. Durante toda a década passada, a cantora juiz - forense lotou ginásios e grandes arenas com shows recheados de hits. Ano passado, ela resolveu aventurar - se por um caminho diferente, um espetáculo feito para ser apresentado em teatros, criado a partir da união entre a música e as artes plásticas - "Ensaio de Cores", que ela apresenta sábado (26) e domingo (27), no Palácio das Artes.

O espetáculo traz vários diferenciais ao público da artista. O principal é a revelação da paixão de Ana Carolina pelas artes plásticas. Logo  que chegarem ao foyer do teatro, os fãs poderão ter contato com quadros pintados por ela. As telas também servem de cenário para toda a apresentação: serão projetadas no palco conforme a evolução do repertório.

"Não sou pintora, nunca me especializei no assunto. Faço quadros de forma totalmente instintiva. Mas também uso muito do inconsciente na música. Também nunca estudei harmonia, mas aprendia matemática da música fazendo", explica a cantora em descontraída conversa por telefone.

A paixão pela pintura surgiu em 2002, época da produção do disco "Estampado", como maneira de aliviar as tensões.
Ana Carolina conta que todo o repertório remete de alguma forma ás cores ou ás artes plásticas. Ela abre o show com "Rai das Cores", de Caetano Veloso, e segue para versões de músicas importantes como "Azul", de Djavan. Há ainda a composição inédita de Ana, "As Telas e Elas", em que trata do seu envolvimento com a música e as pinturas: "Quem me conhece sabe que no meu show não pode faltar humor. Não consigo ficar sem dizer nada que não mexa com as pessoas. Por isso, em determinado momento, faço a união entre 'Feriado', do Chico César, ' Esse Amor É Um Rock', do Tom Zé, e 'Entre Tapas e Beijos', de Leandro & Leonardo. As canções juntas ficam muito engraçadas. Parece estranho, mas na hora do show isso faz sentido", analisa a artista, reforçando que alguns de seus sucessos também devem entrar na apresentação.

Outro diferencial de "Ensaio de Cores" está na escolha da banda. No palco, só musicistas mulheres acompanham Ana Carolina. O piano fica a cargo de Délia Fischer, instrumentista com passagem por festivais de Jazz na Suíça, França e Alemanha e ganhadora do prêmio Shell de arranjadora pelo espetáculo "Beatles no Céu de Diamantes". Gretel Paganini é a responsável pelo violoncelo; Lanlan (do grupo Moinho) responde pela percussão e bateria. "Eu nunca tinha tocado só com mulheres e adorei isso", registra Ana Carolina. "Diferentemente do que alguns imaginam, não foi difícil escolher quem tocaria nesse espetáculo. Há muitas mulheres talentosas fazendo música no Brasil. Ao lado delas, pela primeira vez me senti musicista também", afirma, em tom de elogio.

Para homenagear esse encontro entre a Ana e as três instrumentistas, consta do repertório de "Ensaio de Cores" a música "Todas Elas Juntas Num Só Ser", de Lenine.

Quadros servem à prevenção da diabetes.

"Ensaio de Cores" não revela apenas a Ana Carolina disposta a fazer um espetáculo criado especificamente para teatros, com formato totalmente diferente do que vinha sendo feito há mais de dez anos. O show mostra um lado engajado da artista, que aproveita seu status para chamar a atenção do público para uma doença silenciosa: a diabetes.

Todas as telas apresentadas no foyer do Palácio das Artes estão á venda. O dinheiro será totalmente revertido á Associação de Diabetes Juvenil (ADJ), entidade sem fins lucrativos baseada em São Paulo e que se dedica a promover á educação a respeito da diabetes.
  
"Com esse show consegui unir o útil ao agradável. Quando alguém se interessa por um dos quadros é uma felicidade múltipla. Não só eu fico feliz como também a associação, que trabalha de forma modesta para mostrar á sociedade que a doença pode ser controlada, desde que detectada com antecedência", afirma Ana Carolina, que é diabética desde os 16 anos de idade.

Em São Paulo e no Rio de Janeiro, onde havia estandes de medição de glicose próximos das telas -, várias pessoas descobriram que tinham diabetes enquanto esperavam para assistir ao show,

"Teve o caso de um homem da minha equipe que não sabia que tinha diabetes, e descobriu a doença ao medir a glicose antes do show", conta a artista.

Para que não seja afetada por uma doença tão perigosa, Ana Carolina cuida da saúde de forma rigorosa. Mede os níveis de glicose várias vezes ao dia, mantém dieta saudável e faz exercícios físicos regularmente. "Não trato a doença de forma negativa. No início do meu trabalho com as artes plásticas, colava as fitinhas de medir glicose nos meus quadros. Foi uma forma lúdica de lidar com o problema".

A artista se diz realizada com "Ensaio de Cores". Tanto que em sua agenda de shows para os próximos meses contempla muito mais esse espetáculo que as tradicionais apresentações em ginásios. "Depois do grande sucesso de 'Quem de Nós Dois', meus shows passaram a contar com um grande público. Poderia ter continuado com shows de sucessos, ganhando muito bem, mas eu quis parar tudo para esse projeto. Sou diabética há 20 anos e senti necessidade de alertas as pessoas para o assunto".

"Ensaio de Cores", de Ana Carolina, no Grande Teatro do Palácio das Artes (Avenida Afonso Pena, 1537, centro). Sábado (26), ás 21 horas, e domingo (27), ás 20 horas. Plateia I: R$ 140; Plateia II: R$ 120; plateia superior: R$ 90.

FOTO: Robert Shwenck/ Divulgação
FONTE: Hoje em dia.  

     

 

 
 

                                                                         

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