sexta-feira, 28 de maio de 2010

ANA CAROLINA: DO QUE AS MULHERES GOSTAM

Ana Carolina é o cara! Ana Carolina é o Mel Gibson do filme DO QUE AS MULHERES GOSTAM, aquele em que ele lia o pensamento delas e agia conforme o desejado, conquistando todas. Ana Carolina sabe do que elas gostam, e provoca. Em mais um show do seu último trabalho, N9ve, a cantora subiu ao palco do Teatro Bourbon Country, em Porto Alegre, com suas habituais caras e caretas na arte da sedução.

É uma cantora privilegiada, tanto pelo vozeirão (com o qual parece brincar, sem esforço e quantas vezes, vemos ao vivo, cantoras e cantores se esganiçando para conseguirem uma mesma qualidade que a verificada nas gravações? Com ela isso não acontece: o talento vocal é inegável), quanto pela carreira recheada de hits. É bem verdade que parte da crítica torce o nariz, dizendo que a cantora é muito repetitiva (e o CD N9ve é de fato um pouco irregular, com algumas canções que parecem nos dizer: "ela regravou isso ?"), mas é inegável o carisma e o domínio de palco que a cantora possui.

O problema é que, por ser tão sedutora e tão abertamente aberta, Ana Carolina incendeia por demais a platéia feminina. No show de estréia, aqui em Porto Alegre, foi absolutamente constrangedor o que meia dúzia de enlouquecidas da fila do gargarejo fizeram: berros, cantadas, piadas de péssimo gosto, a ponto de a cantora, por duas vezes, fazer com os olhos aquela expressão "haja saco" para o resto do público.

Sim, porque simplesmente ela não conseguiu conversar com a platéia, entre uma música e outra. A qualquer silêncio da artista, as moiçolas soltavam a garganta no concurso para ver quem era a mais inapropriada e berrava mais alto. Pena.

Inegavelmente, Ana Carolina estava desconcentrada. Errou algumas letras, não disfarçou uma ou outra impaciência, e acabou por fazer um show protocolar (parecia querer que acabasse logo com o seu martírio), ainda que tudo seja protocolar, em Ana Carolina tem bastante qualidade.

O cenário é simples: um pano na boca do palco, onde são projetadas imagens; o pano que abre e as imagens incidem agora em outro pano, atrás dos músicos. Há momentos em que a tecnologia se mostra, mas que parecem meio soltos no contexto, como quando a cantora senta - se na frente de uma chuva artificial (ela ficou o tempo inteiro fazendo caras e bocas para o backstage, com gestos de que alguma coisa estava dando errado) e quando é lentamente deslocada no palco, por um dispositivo automático, enquanto cantava uma música em que venerava os prazeres do sexo solitário, quando um sabonete é muito melhor do que o membro do companheiro - personagem da canção. O problema é que o cenário é tão simples e os efeitos são tão complexos que as coisas parecem desconexas.

No entanto, duas ou três músicas são suficientes para Ana Carolina voltar a ser Ana Carolina, mexendo no cabelo, conversando baixinho com o pessoal da pista entre um verso e outro, fazendo pequenos comentários em relação á letra da música, tocando - se provocativamente, brincando com a língua provocativamente, tentando, enfim, esquecer - se das desesperadas fãs que praticamente estragaram a noite, que não davam trégua no embate "eu te mereço na tua cama" á base do grito. Dona do palco, basta outra vez soltar o vozeirão para o teatro inteiro vir abaixo, abafando as malas ao meu lado, na pista. 

Praticamente todos os grandes sucessos foram desfilados, ainda que as suas "mais mais" continuem naquele mesmo medley que ela gravou para o especial Multishow, o que é uma pena, pois são as mais esperadas, sempre, são pérolas da MPB, como Pra Rua Me Levar, Confesso, Encostar na Tua. Mas os hits do novo álbum, como Entreolhares, 8 Estórias, Tá Rindo, É?, como as mais dançantes do tipo Garganta, Elevador, Ela é Bamba, Rosas, Uma Louca Tempestade levantaram a galera. Pena também é um show deste calibre durar apenas uma hora e pouco. Talvez não seja sempre assim. Talvez Ana Carolina não aguentasse ouvir as baixarias. De qualquer forma, o público (80% feminino) ovacionou a cantora, porque sabe que Ana Carolina sabe do que as mulheres gostam.


FONTE: Argumento.net
 

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